ÓXIDO
É uma reflexão bela e simples a de que uma árvore cresça em duas direções. A copa é bela, e a raiz, invisível. O que vemos muitas vezes vem do que é profundo, escuro, oculto.
A metáfora da oxidação como ponto de partida pode parecer absurda. Normalmente a associamos ao envelhecimento, ao desgaste, à passagem do tempo. Mas a oxidação deveria levar-nos a refletir sobre o que é necessário para que algo se oxide, e a resposta é óbvia: oxigênio. No entanto, houve um longo período em que nossa atmosfera era tóxica e inóspita à vida, até que os primeiros organismos vivos começaram a transformar aquela atmosfera primitiva do Pré-Cambriano, preenchendo-a com oxigênio através da fotossíntese. Portanto, para que algo se oxide, foi necessário que algo nascesse, existisse, no mais profundo sentido que a possa ter palavra existência. Uma rocha, ou mesmo o universo como o conhecemos, um dia deixará de existir, mas a consciência dessa finitude nos transforma em seres inquietos e reflexivos, cheios de perguntas, sedentos.
“Óxido” é uma segunda interpretação da minha reflexão mais fundamental, presente em toda a minha obra: a existência. É uma extensão de meu projeto anterior, “Tempo”, iniciado em 2006 e ainda inacabado. Enquanto “Tempo” é fotografia e lida com a irreversibilidade, através da ideia de fotografar com câmeras construídas para uma situação específica e com uma única placa de filme, onde não há segunda chance; “Óxido” é pintura, alterável em todo o processo, da primeira à última linha, pincelada ou forma. É o desejo de acreditar que sim, podemos e devemos intervir, criar o destino, fazer de nossa breve existência o momento e o lugar para ser e dar o melhor que possamos.
Tudo tem um começo, tudo tem um fim. Criar é minimizar a angústia de sabê-lo. É talvez alcançar a um ponto em que já não soframos por isso, através da reflexão, em processos que são como raízes escuras e subterrâneas, invisíveis para os outros, mas que nutrem e dão forma ao que tornamos visível através de nosso pensamento.

El Bardo - Óxido e Hidróxido de Ferro, Acrílico e Cordas de Contrabaixo sobre Tela sobre Madeira. 300 x 180 cm
Paraíso, céu, inferno, purgatório, bardo, são conceitos presentes em diversas culturas. A busca por significado, por destino, por um lugar onde sejamos ser eternos.
El Bardo é minha reflexão sobre a ideia de que esse lugar é aqui mesmo, em nossa simples e limitada existência; onde residem nossos sonhos, nossos ideais, nossos dramas e conflitos, nossas perguntas e nossa falta de respostas, nossas frustrações e conquistas, nosso esforço para sermos e darmos o melhor que possamos.
El Bardo talvez seja o melhor que pintei até hoje, possivelmente o que mais se aproxime do que almejo, uma de minhas obras que melhor represente este momento da minha vida, tão repleto de amor genuíno pelo que faço e por pessoas habitam minha vida. Sobre ele paira a sensação de que ainda há muito por fazer; o eterno "E o que ainda está por vir!" enquanto estivermos aqui.

Empatia - Óxido e hidróxido de ferro e limalha de ferro sobre tela em madeira com ímãs. 88 x 100 cm

Óxido nº 1 - Óxido e hidróxido de ferro, acrílica earame oxidado sobre tela em madeira. 70 x 70 cm

Óxido nº 2 - Óxido e hidróxido de ferro e ferro oxidado sobre tela sobre madeira. 110 x 70 cm

Óxido nº 3 - Óxido e hidróxido de ferro, corda de contrabaixo e ferro oxidado sobre tela em madeira. 110 x 70 cm

Popocatépetl - Cinza vulcânica e óxido de ferro sobre tela em madeira. 120 x 35 cm.

Spectróxido - Ferro oxidado, óxido e hidróxido de ferro e cordas de piano sobre tela em madeira. 150 x 97 cm

Espectróxido invertido - Óxido e hidróxido de ferro e cordas de piano sobre tela em madeira. 150 x 97 cm

A Corda Bamba - Óxido de ferro e disco abrasivo quebrado sobre tela e corda de piano em grade de ferro. 64x43 cm
A Caixa - Óxido e hidróxido de ferro e cordas de piano em caixa de ferro. Instalação sonora/sensorial 230x150x180 cm













Museo internacional del Barroco, Puebla - México. Outubro/Novembro de 2024
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