
ViolaMe, parede ezquerda - Óxido de ferro e terracota em medio acrílico sobre tela. 5,2 x 2 m.
ViolaMe
Um dia um primeiro humano terá dito, “Esta caverna é minha”. Durante algum tempo estive pensado na idéia de que a violência não é uma característica natural do ser humano, como costumam dizer, mas que provém da necessidade de reação frente a uma circunstancia indesejada, sentindo-se agredido, violado.
Quando os filósofos Luca De Pietri e Giorgio Palma me convidaram a participar no evento Il Corpo Violato, promovido pela Fundação Artphilein, na Itália, notei que este seria o catalisador deste antigo projeto, uma vídeo instalação na qual alguém fosse invadido em seu espaço, física e culturalmente. Desde o principio estabeleci uma relação entre música e cultura, e isso me levou à idéia de combinar o nome de um instrumento e a palavra violência. Este foi o inicio de Viola-Me.
El cosa é um personagem que não representa ninguém. Sua face é plana, sem cor nem caráter e habita um ambiente impregnado de sua presença, criado por três pinturas de grandes formatos que representam suas paredes. Usando placas de ferro oxidado, estampei manchas e formas sobre as telas e com terracota, marcas de meu próprio corpo.
Quatro pessoas entram neste espaço empurrando um piano, criando um muro que divide o ambiente em dois lados. Ao notar a presencia de El cosa ao outro lado, começam a empilhar livros sobre o piano, criando com sua cultura uma barreira ainda mais alta. Logo trazem três cadeiras, três violas y começam a afinar seus instrumentos.
Sentindo-se invadido, El cosa expressa seu descontentamento com a situação e, ao não haver diálogo, rejeita a invasão destruindo os elementos que a representam, num ritmo crescente, de acordo com seus sentimentos. Seu comportamento agressivo, provocando-lhe sentimentos de dor e pena por si mesmo e por seu agressor é meu principal discurso em ViolaMe, a involuntariedade e a tristeza contidas na violência e a apatia da sociedade moderna diante do fato.
Extraído da palestra a que Luiz Simoes foi convidado pela Fundação Artphilein em fevereiro de 2010 na Itália, para apresentar seus projetos ViolaMe e Música para 18 coIsas aos artistas e filósofos participantes no evento Il Corpo Violato.

Making of ViolaMe - video 8 minutos

A composição Trío para violas y piano ausente sugere reflexão sobre a autocomplacencia e o etnocentrismo em que as vezes caímos, não só na cultura ocidental, mas em todas.
No contexto da instalação ViolaMe, alude ao marcado contraste que se da quando nos recluímos em nossos próprios valores, em nossa própria alienação e esta se converte em uma máscara que nos impede atuar e ser coerentes.
A peça está construída sobre um padrão harmônico que se repete e sobre o qual se desenha uma linha melódica melancólica; a parte central alude a procedimentos de contraponto, que representam a busca de uma raiz no passado, mas que ao não resolver-se para o presente volta ao padrão inicial, constante, obsessivo e distante.
Iván Lorenzana
Compositor



ViolaMe - obra completa. Video - 7 minutos
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