
Work in process
e ao pó retornarás

B P S - Areia do Saara, grafite e dióxido de titânio sobre linho. 130 x 81 cm.
Vagando por este imenso deserto, dia após dia acampo onde quer que me encontre, quando se aproxima a mágica hora do crepúsculo. Os azuis profundos dão lugar a vermelhos, lilases, cinzas e ao negro. Na mais profunda solidão que já vivenciei, preparo meu jantar, ouço minha música, escrevo e contemplo o mais majestoso e desconcertante de todos os céus, que me esmaga sobre a Terra e me invade com um profundo sentimentodeo de insignificância. Como cada grão de areia neste vasto deserto, quão pequenos e insignificantes somos nós no Cosmos.
Argelia, dezembro de 1988


ETER - instalação audiovisual para 4 projetores de slides, luz e fumaça, projetada sobre a pintura "Meus planos". 5,2 x 1,95 m.
ETER
Do latim æthēr e do grego aithēr: céu, firmamento, o ar puro e brilhante acima.
Em sânscrito “akasha”, o quinto elemento, o espaço no qual tudo existe, que não tem a firmeza da terra, o frescor da água, o calor do fogo, nem o movimento do ar...
O Éter Luminífero, que os antigos acreditavam preencher todo o escuro cosmo e permitir que a luz viajasse. A própria essência do vazio.
Vazio, no qual me encontro, e que me conduz à pergunta sem resposta... “o nada primordial”, anterior à matéria, à energia e a tudo o que viemos a compreender ou inventar. “O nada” que me redime, que me coloca em minha condição de pó, ao qual tudo retornará. Que me mostra a falta de sentido do todo e todo o sentido de minha breve existência, em paz com nossa pequenez, com nossa irrelevância, com nossa finitude e livre da busca pela eternidade.
Khumbu, dezembro 2024