Sem ser músico nem luthier, decido compor una obra musical para ser interpretada por uma orquestra utilizando instrumentos construídos por mim, de maneira não convencional, questionando também como esperamos que sejam as coisas, além das pessoas. Buscando o absurdo, decido também inspirar-me na obra maestra de um dos maiores compositores contemporâneos, Music for 18 musicians, de Steve Reich. De fato lhe dedico a obra, mas esta não é a música nem os instrumentos, e sim é o fato de que eu faça algo que não esperem.

Música para 18 cosas questiona que esperamos das pessoas. Porque o primeiro que fazemos ao conhecer alguém é perguntar a que se dedica, estabelecendo filtros para nosso entorno de relacionamentos?

Como na obra de Reich, pulsação e respiração aludem ao tempo e à vida. O concerto começa quando um estetoscópio com  microfone faz com que seu coração soe ao vivo nos alto-falantes, como um metrônomo na parte inicial da obra, que se divide em oito seções: pulsação, respiração, crescimento, tormento, caos, harmonia, respiração e pulsação; traçando um círculo interminável através do existir, o crescer e tormento causado pela sensação de que o próprio crescimento gera ainda mais dúvidas.

Música para 18 coisas está repleta de elementos que marcaram minha vida nas últimas décadas. Meus desejos, frustrações e realizações com respeito ao que fiz, ao que faço e ao que ainda gostaria fazer, questionando o que somos, com mais e mais perguntas a cada instante.

 

 

 

 


Basuróphonos Basso, Basuróphonos Mezzo e Basuróphonos da Gamba

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Dia Internacional dos Museus. ARTIUM, País Basco, maio 2011

 

 

 

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